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31/05/2010
AGORA É OFICIAL: NO AR A 104.7
Por Núcleo de jornalismo
Graças à irreverência e à determinação de estudantes engajados com o movimento de liberdade de expressão da década de 80, a TX 107,3 conquistou seu espaço de rádio genuinamente universitária e, em 15 de maio de 1989, durante o mandato do reitor professor Rômulo Augusto Penina, com o objetivo de unir universidade e comunidade de maneira organizada, a rádio universitária teve sua concessão concedida à Fundação Ceciliano Abel de Almeida (FCAA), passando a ser conhecida como Universitária FM - 104.7 (ZYC - 516, nome técnico).
Nesta fase inicial de adaptação, imprevistos e aprendizagem todos ajudavam, mas alguns nomes foram fundamentais para que a rádio pudesse, literalmente, ir ao ar. Com ajuda do técnico em rádio Rubens Landeiro, foi possível comprar todo o equipamento básico para se montar a rádio. O presidente da fundação, naquela época, era o professor doutor Guilherme Rody Soares, que relembra o que enfrentaram juntos: “A rádio veio com muita dificuldade. Quantas vezes sai de madrugada com o motorista pra subir no morro, pra chegar lá e acertar a fiação pra botar a rádio no ar”, reflete, nostálgico.
A Universitária, então, vira referência no ensino jornalístico. Antes mesmo do surgimento do Programa de Estágio para os Alunos de Comunicação Social da Ufes, em 1990, a participação estudantil, em sua equipe, já era fato. O que contava era a vontade de aprender e o resto ficou a cargo da relação de compromisso e amizade entre os alunos e direção, como conta Ricardo Conde, primeiro Diretor-Geral da Universitária.
“A rádio foi legalizada, porém faltava uma linha a seguir. Não havia estágio, mas os alunos participavam. Foi uma boa experiência. Mais tarde ela ganhou uma identidade e outras pessoas deram andamento”, conta Conde.
Hézio Pessali, primeiro Diretor do Núcleo de Jornalismo, também fomentou e acompanhou todo esse processo de crescimento: “Eu era professor da disciplina de Radiojornalismo, então levei meus alunos para se exercitarem como repórteres fora do horário de aula. A gente não tinha aquela mobilidade que caracteriza uma emissora comercial. Depois, a rádio foi se sofisticando, a programação foi ganhando outra dimensão e se tornou mais diversa” relata.
Aos poucos a Universitária crescia e ocupava um lugar especial no mercado radiofônico: o de rádio alternativa e de atitude. A Fundação investiu em equipamentos, deu liberdade aos estagiários de poderem participar com produções independentes, como o “Nota Blues”, o “História do Rock” e “No Escurinho do Cinema” e abriu portas para programas que estão até hoje na grade da emissora, como “Coisas do Brasil”, apresentado por Mr. James, “Domingo Brasil”, com Tarcisio Faustini, e “O Som do Jazz”, programa de jazz mais antigo do Brasil, produzido e apresentado pelo jornalista Marien Calixte.
Daniela Abreu, hoje repórter da TV Gazeta, foi uma das primeiras estagiárias da 104.7. “Foi um aprendizado ímpar porque a faculdade não te dá esse jogo de cintura que o rádio dá. O veículo me ajudou em tudo: desde a apuração das notícias até o jeito de falar na televisão. Tudo isso eu aprendi mais na Rádio Universitária do que na faculdade.”, conta entusiasmada.
Em 1994, a Fundação Ceciliano Abel de Almeida se transferiu de onde fica hoje a pró-reitoria de graduação, para a sede atual, próxima ao Centro de Línguas da UFES. No Estado, este foi um período de construção de identidade cultural. Identidade, aliás, que a Universitária FM ajudou a divulgar, trazendo à pauta todo movimento artístico que se manifestasse à época. |